O Mercado do Alho
O clima ajudou, a safra foi boa, mas os preços não tem agradado. Essa é a realidade dos produtores de alho do Alto Paranaíba, em Minas Gerais. Com a entrada do produto chinês no país, os preços do tempero nacional despencaram. Na região, o reflexo dos preços praticados nos últimos meses está nos galpões. Cerca de 30% do alho que foi colhido continua nos estoques.
Segundo o produtor rural, José Mesquita Froid, a produção da região esta sendo prejudicada pelos preços do alho chinês que chega mais barato no mercado. “Há vinte anos nós produzíamos 11 toneladas por hectare. Hoje, produzimos 20 toneladas. Ainda assim reduziu a participação. A China é o maior produtor do mundo. Eles tem um custo de produção muito baixo e tem um câmbio artificial. É difícil competir com o câmbio da China”, afirmou o produtor.
O Brasil é um grande consumidor de alho in natura. Só no ano passado foram necessárias 240 mil caixas para abastecer o mercado. Mas a produção nacional é responsável por apenas 36% desse consumo. O restante vem principalmente da China. A safra de 2011 é considerada a melhor dos últimos anos. Mesmo assim os produtores continuam apreensivos quando o assunto é a comercialização. O mercado nacional está praticamente na mão dos chineses e, com isso, o preço do alho brasileiro despencou.A caixa que era vendida a uma média de R$ 70 no início ano, agora é comercializada a R$ 30 em média. Para o produtor rural, José Froid, a grande oferta do produto faz cair os preços, o mercado tem uma oferta maior que a demanda. Segundo a Associação Nacional dos Produtores de Alho, até o fim do ano deverão ser colhidas dez milhões de caixas no país, 20% a mais que em 2010.
Segundo João Roberto, gerente de um grupo produtor de alho, o clima favoreceu o plantio do alho, mas na hora da comercialização os produtores se decepcionaram. Para tentar fugir do mercado em baixa, a aposta foi a estocagem em câmaras frias. “Temos que concorrer com eles a preços muito baixos. O preço hoje tá abaixo do custo. Deveria ser R$ 4 o quilo e hoje está R$ 3”, afirmou o gerente.
O beneficiamento ainda conta com 150 funcionários, mas os trabalhos encerram em dezembro. A partir daí a expectativa é de um 2012 melhor. A região do Alto Paranaíba responde por 75% da produção de alho em Minas Gerais, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
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